Há oito anos atrás quando cheguei aos Estados Unidos, em New Jersey, fiz uma prova no college onde estava matriculada e recebi a notícia de que entraria no nível básico do curso de inglês. Eu sabia que todos os anos estudando o idioma na escola não haviam sido produtivos, só não imaginava terem sido completamente inúteis.

Eu estava em uma área do país onde não existia uma comunidade brasileira tão forte quanto a que temos aqui em Orlando. Lá não havia a opção de só fazer amigos brasileiros e nem o portunhol poderia me salvar. Então eu estudei dia e noite. Fui forçada a me comunicar com as pessoas mesmo quando eu ia além das minhas habilidades, mesmo quando eu me sentia uma inútil tentando explicar algo. Eu deixei de lado a ideia de que eu só poderia falar com Americanos quando soubesse me expressar bem, já que não havia outra opção. E assim, amigos, em menos de um ano eu já estava fluente.

Acontece que aqui em Orlando é bem diferente. A necessidade de dominar a língua do país onde moramos é bem menor e por essa razão, muitos se acomodam. Algumas vezes, quando as oportunidades se fecham ou problemas graves não são resolvidos por causa da barreira do inglês, muitos se arrependem amargamente de não terem investido tempo e dedicação a uma das premissas, mas básicas sobre imigrar para outro país: é primordial falar a língua nativa.

O trabalho cansativo e a batalha do dia a dia de um imigrante não são fáceis. Mas muitas vezes temos que rever as prioridades e trabalhar para conquistar o básico, antes de focarmos nas atividades que trazem prazeres momentâneos. Ouvimos músicas brasileiras, assistimos filmes dublados, procuramos igrejas que só tenham pessoas do nosso país.

Além disso, é preciso também entender um conceito que hoje já é ensinado em muitos cursos de inglês: o que importa é falar, se comunicar, se fazer entender. Muitos buscam ter uma pronuncia perfeita, ou a gramática 100% correta. Esqueçam esse idealismo.  Querer falar como um Americano só vai te trazer mais ansiedade e bloqueio na hora de aprender e principalmente de se comunicar.

Quando entrei na faculdade de jornalismo em Nova York, encontrei todas as dificuldades óbvias de ser imigrante, como não ter o inglês no mesmo nível dos meus colegas americanos e ter que escrever matérias tão boas quanto as deles. Não foi fácil. Exigiu muito de mim para ser capaz de me graduar com boas notas, e foi primordial parar de me comparar com meus colegas. Mas a mágica da equação dedicação + persistência é que ela sempre será igual a um resultado positivo para você.

Aqui em Orlando precisamos vencer muitas barreiras, como o cansaço do trabalho duro, o comodismo de ter tantos amigos brasileiros, e a facilidade de continuar imersos na nossa cultura. Precisamos ir atrás da fluência no idioma do país no qual escolhemos viver.

A satisfação e a diferença que você vai sentir quando alcançar seu objetivo compensará todo o seu esforço. Portas que você nem esperava que existissem vão se abrir e, aí sim, o seu “american dream” se tornará realidade.

por Mayara Giannecchini

Matéria da edição de abril da revista BrazilUsa Orlando